7 de janeiro. 7, considerado por
muitos o número da sorte. Engraçado que no meu caso mais parece ser o número
das grandes tragédias da minha vida. Há um mês, eu tomei resoluções; há um ano,
eu destruí duas vidas que se completavam esperando ansiosamente a hora de se
tornarem uma. Destruí não um, mas dois corações: pois o meu basicamente foi
quebrado de forma irreversível. Quando pensamos neste tipo de erros, pensamos
que o único coração quebrado é o do outro, mas não. E provavelmente só passando
por isto é que percebemos que o nosso próprio coração sofre danos que sempre se
irão fazer sentir. A vida segue, pensamos que fica apenas a cicatriz… mas a dor
não passa. Ela está sempre presente, bem como estará a cicatriz, e as memórias.
Eu tenho o mau hábito de me ir martirizando por causa disto. Acho sempre que vou parar com isso, que só me faz mal… e hoje dou comigo mais uma vez a punir-me e a pensar nisto. Era impossível não lembrar.
O tempo pode realmente não curar
tudo milagrosamente, mas traz-nos distância dos acontecimentos e, com isso,
traz-nos novas perspetivas. Olhando para as conversas que são os meus castigos,
vejo que isto já se estava a avizinhar. Mas nunca desta forma. Esta é a pior
forma. Depois disto, deixei de me conseguir considerar boa pessoa: que boa
pessoa espeta um punhal destes no coração de alguém e rasga a sua própria alma
assim? Corrompi-me, maculei-me. Falta um pedaço de mim. E durante muito tempo
faltou tudo de mim.
O dia 7 foi para mim, de facto, o
primeiro dia de 2015. Foi o dia a partir do qual tudo aconteceu, à volta do
qual tudo girou. O dia que despoletou todas as minhas escolhas e decisões até hoje. Por isso, hoje é que tenho vontade de fazer uma retrospetiva
desse fatídico ano que me matou e fez renascer. Renasci sim, a custo. Renasci
deformada, danificada, uma sombra do que era. Mas renasci pronta a recuperar.
7 de janeiro de 2015 foi o dia em
que perdi tudo. E na altura pensei que já que nada mais importava, bem que me
podia perder a mim mesma também, a ver se esquecia. Eu ainda tentei manter-me
firme, sem quebrar, durante um mês, mês e meio.
Depois simplesmente desisti e deixei-me levar.
Foi bom, sim. Mas olhando agora
para trás, não foi certo. Mas na altura eu estava fraca e de alma moribunda.
Hoje estou mais forte e pergunto-me se teria feito igual. Um impulso diz-me que
não; outro diz que se não tivesse cedido, talvez não fosse agora quem sou.
Apesar de tudo, ainda não me
consigo achar uma boa pessoa. Ainda tenho muitos arrependimentos, muitas
mágoas, muitos remorsos, muitas autorrecriminações. Estou viva, mas não sou
mais ela. Ela podia ter valores,
acreditava na sua força para os seguir ao longo da sua vida. Ela não tinha
arrependimentos, nem mágoas. Mas ela desanimou com as adversidades, e acabou
por sucumbir. Talvez não fosse assim tão forte. Talvez não fosse assim tão boa
pessoa, no final de contas. Eu tenho segredos; ela também tinha, mas lidava
melhor com eles. Ela gostava de si mesma e estava determinada a amar-se a si
mesma sempre em primeiro lugar, para nunca ser derrubada. Eu, recém-nascida,
nasci faminta de amor próprio e com medo de nunca mais ter direito a viver o
amor romântico, de nunca mais o merecer… mas nasci determinada a conquistar
isso. E ainda não fui derrubada. Nem vou ser. Há erros que só se cometem uma
vez. E se estes arrependimentos, estas mágoas, estes remorsos e estas
autorrecriminações forem o que me impedem de voltar a cair, eu mantê-los-ei e
não voltarei a falhar. Não voltarei a rasgar-me. Não voltarei a quebrar alguém.
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