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23/03/2025

Cinza, azul e castanho

 Vejo fotos antigas e ouço música que está na minha playlist há, igualmente, mais tempo do que aquele que me apercebo. Esta foto já tem quase 10 anos. 

Olho para mim, para quem eu era. Tão nova, ainda faltava tanto... para ser a eu de hoje. Comecei a escrever hoje porque me perguntei sobre quando me perdi, como vim parar de lá até aqui. Mas... como mais? Onde mais? Parece-me, na verdade, inevitável. Eventualmente tornar-me-ia esta pessoa. Sinto-me velha. O tempo passou e não alcancei mais do que tinha naquela altura. Exceto experiência. Só queria ter tido um pouco mais desta experiência, para saber lidar melhor com o que lidava lá. Mas não era para ser. Ainda não era o tempo, ainda não tinha conhecido toda a gente que já conheci, nem feito e visto tudo o que já fiz e vi.

Eu olho para a foto e sei, parecia feliz. Mas não era. Não estava contente. E nunca estive ou fui conformada. E na altura mexi-me. Como me estou a mexer agora. Esta força e vontade para não me acomodar ao que não me satisfaz é também uma maldição. Ficar ou ir, de qualquer das formas parece desistir. A vida parece-me, no futuro, cinza escuro. Mas foi sempre cinza, azul e castanho. Eu sei que consigo, mas eu sei que consigo porque, que mais me resta?

15/03/2018

Nós, Morte.

Hoje eu vi e toquei num morto. Não foi o primeiro. Não foi a primeira palidez, o primeiro olhar vazio, nem a primeira vez que procurei um movimento que já não existia no peito de alguém.

07/01/2016

7 de janeiro

7 de janeiro. 7, considerado por muitos o número da sorte. Engraçado que no meu caso mais parece ser o número das grandes tragédias da minha vida. Há um mês, eu tomei resoluções; há um ano, eu destruí duas vidas que se completavam esperando ansiosamente a hora de se tornarem uma. Destruí não um, mas dois corações: pois o meu basicamente foi quebrado de forma irreversível. Quando pensamos neste tipo de erros, pensamos que o único coração quebrado é o do outro, mas não. E provavelmente só passando por isto é que percebemos que o nosso próprio coração sofre danos que sempre se irão fazer sentir. A vida segue, pensamos que fica apenas a cicatriz… mas a dor não passa. Ela está sempre presente, bem como estará a cicatriz, e as memórias.

30/08/2015

Dive.

Ao longo da vida, vemo-nos confrontados com praticamente todo o tipo de situações. Cometemos erros, aprendemos ou não, cometemos outra vez os mesmos ou novos. A vida é feita disso, de erros, de processos que vêm e passam, porque tudo o que vier vai ter de acontecer, vamos ser confrontados com as situações e com as circunstâncias, e simplesmente vamos ter de lidar com elas de uma forma ou outra, quer saibamos como fazê-lo ou não. Não podemos fugir, não temos como fugir. É como ver uma tempestade aproximar-se, não termos onde nos abrigarmos e termos que ficar a céu aberto, levar com toda a tempestade, até que ela passe e volte o sol.

07/10/2013

Sonho Impossível

Tenho vindo a sonhar mais do que nunca, por tua causa. O mais belo e impossível sonho que poderia ocupar a minha mente ao longo do dia, todos os dias. Um sonho que me dá alento e não me deixa perder a minha determinação. Simplesmente porque te quero.