Vejo fotos antigas e ouço música que está na minha playlist há, igualmente, mais tempo do que aquele que me apercebo. Esta foto já tem quase 10 anos.
Olho para mim, para quem eu era. Tão nova, ainda faltava tanto... para ser a eu de hoje. Comecei a escrever hoje porque me perguntei sobre quando me perdi, como vim parar de lá até aqui. Mas... como mais? Onde mais? Parece-me, na verdade, inevitável. Eventualmente tornar-me-ia esta pessoa. Sinto-me velha. O tempo passou e não alcancei mais do que tinha naquela altura. Exceto experiência. Só queria ter tido um pouco mais desta experiência, para saber lidar melhor com o que lidava lá. Mas não era para ser. Ainda não era o tempo, ainda não tinha conhecido toda a gente que já conheci, nem feito e visto tudo o que já fiz e vi.
Eu olho para a foto e sei, parecia feliz. Mas não era. Não estava contente. E nunca estive ou fui conformada. E na altura mexi-me. Como me estou a mexer agora. Esta força e vontade para não me acomodar ao que não me satisfaz é também uma maldição. Ficar ou ir, de qualquer das formas parece desistir. A vida parece-me, no futuro, cinza escuro. Mas foi sempre cinza, azul e castanho. Eu sei que consigo, mas eu sei que consigo porque, que mais me resta?