Tudo começou quando eu pensei que já tinha acabado. Parece que ainda foi ontem, mas já se passou muito tempo. Não pensei que o tempo passasse tão depressa, e ao mesmo tempo passou tão devagar. Eu senti cada dia,um após o outro, a passar por mim. Dias pesados de recordações, de arrependimentos, de lágrimas. Em que constantemente me questionava sobre o que fiz, o que estou a fazer e o que farei. Devo parar? Devo tentar voltar atrás no tempo?
Nunca soube qual o caminho a tomar, tomo agora consciência disso. No princípio (Deus, há quanto tempo isso foi!), eu estava nas nuvens. Só via um futuro para mim. Depois, lentamente, muito lentamente, fui vendo alternativas, que não queria tomar. Até que um dia quis. Um dia não hesitei e mantive a minha posição. Não tão firme assim, mas suportada pela aparente firmeza de outrém.
Pensei que havia seguido em frente. Pensei que já tinha escolhido finalmente o meu caminho. Que o meu futuro estava pleno de planos que iria adorar concretizar. Erro desnaturado que cometi não só uma, mas duas vezes. Quem sabe não o vá cometer ainda mais.
Hoje, agora, percebo que nunca soube o que queria, que não sei, e que provavelmente nunca saberei. Limitar-me-ei a deixar-me levar pelo vento, enfrentar os obstáculos que aparecerem, adaptar-me e ser feliz da maneira que puder. Mas sei que faltará sempre uma peça que fará com que nada seja completo. Porém, sinto que em busca por uma peça irei perder outra, e assim serei sempre obrigada a ficar sem uma delas. Porque não deixar as minhas escolhas de cabeça quente tomarem a decisão que a minha mente fria não consegue?
Ambas as opções me irão trazer dor, e irão trazer dor para mais alguém. Já trouxeram. Então, porquê lutar contra o inevitável? Talvez o melhor seja deixar as coisas como estão e lutar contra este meu impulso, mas do que isso, este meu instinto de correr atrás de coisas que não poderei voltar a ter.
Troca por troca, hã? Para obter algo, tenho que perder algo de igual valor. A certa altura fico com a sensação que só tenho a perder. Que já não há outra hipótese.
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