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27/04/2011

Relationship

"O mais difícil não é criar uma relação, mas sim mantê-la."

Isto foi o que ouvi a minha professora de Pedagogia dizer numa aula. Seja amizade ou romance, uma relação é bem mais difícil de manter do que de criar. "Por isso é que hoje em dia os sentimentos são tão voláteis", dizia ela.

Ela nas aulas é assim, diz coisas que nos fazem pensar e reflectir. Eu gosto de a ouvir, embora nem sempre concorde com tudo o que ela diz. Esta foi uma das coisas de que ela falou que realmente me fez pensar.

Comigo foi mais ou menos assim. As coisas sucederam-se tão bem, foram acontecendo tão naturalmente.
Não, não foi difícil iniciar esta relação. E era tudo tão perfeito, aconteceu tudo de tal forma que eu andei nas nuvens nos primeiros dias ainda a pensar que estava a sonhar, que era apenas mais uma fantasia que eu criara na minha mente, como há tanto tempo já não fazia. E eu não queria acordar desse sonho. As memórias daquele primeiro beijo ainda pairam na minha cabeça quase como se não tivesse acontecido de verdade. Foi demasiado bom, era demasiado perfeito para ser eu a viver aquilo. Mas depois apercebo-me de que se aquele beijo não aconteceu também não estou a viver a realidade, e a certeza de que estou acordada faz-me pensar na bruta sorte que tive, tão repentinamente, tão inesperadamente. Não, eu não tinha desistido de procurar; eu apenas já não estava à espera de encontrar o amor assim, de forma tão fácil, tão fluída.

Mas depois de ter começado, veio a parte de se manter o que nós tínhamos e, quem sabe, ter mais e mais. Foi por algumas vezes tão difícil, doía tanto, era tão pesado… mas vale tudo a pena. Uma vez disseram-me que o amor é uma casinha que se constrói todos os dias, e eu ando a aprender que essa é a verdade. Mas para quem pensa que o esforço é demasiado, que custa muito, esqueçam essa ideia. Vale tudo tanto, mas tanto a pena… mas claro, eu também não sabia. Fui-me apercebendo quando estava nos braços dele, um abraço apertado, um silencioso clamor ao outro para não acabar aquele abraço, aquele momento perfeito. Fui-me apercebendo em cada beijo, em cada olhar meigo e doce, que me dizia o quanto ele me ama. Fui-me apercebendo a cada palavra, a cada sorriso, a cada lágrima, a cada gota de suor que aquele era o sonho que eu procurava, com momentos bons e momentos maus. Isso é que era a felicidade suprema, a perfeição que parecia caída dos céus que parecia apenas existir como meta para cada coração atormentado, mas sem nunca ser realmente alcançado, porque afinal como tanta gente diz, a perfeição não existe.

Pois para mim, existe sim. Está em cada pequeno gesto protector, em cada pequeno sinal de ciúme, em cada confissão de um segredo há muito guardado e por poucos conhecido, pequenas mágoas escondidas. Cada carícia que ele me faz é como um coro de anjos a cantar aos meus ouvidos o amor que ele sente por mim. E sinto o meu peito encher de felicidade porque é a minha metade que está ali, porque é ele, e especificamente ele, entre tudo e todos, que eu quero e preciso; que eu amo. Encosto a minha cabeça no peito dele e a sensação é única; é um mundo só nosso.

Portanto, sim, manter uma relação não é nada fácil, mas faz parte da vida que podemos viver juntos, e sabemos que só assim seremos felizes. Concordo plenamente com a minha professora. E se fosse agora, criaria sem medo esta relação, medo de não a conseguir manter, ou até medo do esforço de mantê-la. Faz parte.

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