"O meu pensamento plana sobre uma cidade, sem saber como lá foi parar. Como um pássaro travesso, dirige-se a um prédio, e entra por uma janela. É a janela de um quarto. Sentado em cima de uma cama, está um rapaz. Apesar de não haver muita luz, consigo distinguir nitidamente as suas feições. É um rapaz alto, e os seus cabelos são de um castanho tão escuro que pode ser confundido com preto. Não consigo saber de que cor são os seus olhos, pois estão fechados. Ele parecia estar a pensar muito profundamente em algo, algo que ele queria, mas sabia ser complicado ter. Ele esteve assim, parado, mudo, durante muito tempo; e eu, permaneci lá, a olhar para ele, admirando cada pormenor do seu rosto, das suas mãos, enfim, cada pormenor seu, sem nunca me cansar nem aborrecer.
Subitamente, ele encosta as suas mãos à cara, fazendo pressão, como se aquilo em que estava a pensar fosse doloroso. E lentamente, ele deixa cair as mãos, abrindo os olhos, olhos escuros, mas lindos. E nesse momento, sinto uma onda de sentimentos a assaltar-me. Sinto saudade, uma saudade imensa, sinto familiaridade, e sobretudo, sinto algo dentro de mim que sempre esteve lá, mas ao que nunca dei importância, e sempre tentei abafar: sinto amor. Tudo aquilo que eu tomara como este sentimento não passava de uma quimera, de uma ilusão.
Sinto-me realizada, como se este fosse o meu maior sonho. Mas a realidade rapidamente cai sobre mim. E dou comigo a sentir o mesmo que ele. Eu quero-o, quero-o tanto que só penso nele, só sonho com ele, tudo em meu redor me faz lembrar o seu carinho, o calor de estar perto dele. Mas também sei que vai ser difícil ficarmos juntos, embora não seja impossível. Já antes houve quem conseguisse. Eu sempre o amei, amo-o e sempre o amarei. Ele será sempre o dono do meu coração, aconteça o que acontecer. Eu não vou desistir dele. Não vou fugir de uma luta que ainda não começou , e sei que posso vencer, que juntos podemos vencer. Além disso... je t'aime!"
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